Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?

18 Oct 2009 by Leo, 5 Comments »

E quem irá dizer que não existe razão?

Tem coisas que acontecem em nossas vidas que a gente não encontra explicação. E são justamente estas que vão estar conosco pelo resto de nossas vidas.

E coisas que só uma madrugada entediante vagando pela Internet pode nos revelar. Era 16.05.2009, uma madrugada sem nada a oferecer, o Twitter aberto, até que ela pedira a sugestão de uma nova banda. Teenage Fanclub eu disse, sem a esperança de que fosse respondido, afinal, quem era eu? Mas ela respondeu, foi além, por meio de um DMme passou o MSN e eu custei a acreditar que aquele MSN era mesmo o dela. O que a @baixacombustao iria querer com o @eroguro?  Mas era verdade. A @baixacombustao virou a Ana e o @eroguro virou o Leo, tinhamos nomes, afinal.  Nas primeiras mensagens eu já brilhava os olhos em frente ao monitor, ela me entendia tão bem, sabia como nenhuma outra pessoa como me fazer bem, dizer as palavras certas na hora certa sem fazer julgamento algum, era perfeita. No mesmo dia em que fechamos o MSN, me bateu um medo, quase que um desespero, mas bobo, de que ela trocasse de MSN naquela mesma madrugada, ou que excluisse a conta do Twitter, como eu ficaria? Eu já dependia dela, mesmo sem saber. Mas ela continuava lá, com aquele mesmo endereço de MSN e o Twitter ativo, ufa, foi só uma paranóia minha, quase entrei em parafuso de tanto que pensei nesse absurdo.

Mas uma coisa ainda rondava meus pensamentos… eu aqui, no Rio Grande do Sul, ela lá, no Rio de Janeiro, que chance isso teria de dar certo, ainda mais com as coisas que estavam nos amarrando ainda, era uma idéia muito impossível, quase que utópica. Mas meu inconsciente me dizia que eu tinha que ao menos tentar, mesmo sem saber ao certo quando nem como. Existia uma promessa de ir lhe fazer uma visita em Dezembro, mas estavámos em Maio, parecia longe demais, era uma espera quase que eterna para que eu pudesse declarar o que eu sentia, mesmo com o medo absurdo que eu sentia da reação que ela poderia vir a ter quando soubesse o que se passava “aqui dentro”.

Logo estavámos trocando e-mails, chegava no  trabalho e ia correndo mandar algum, e passar o dia todo abrindo a caixa de entrada, será que ela mandou e-mail novo? Ou só para ler os antigos mesmo, eram palavras que me confortavam (e confortam) fazendo com que eu me sentisse o cara mais especial do mundo. E-maisl, MSN, Twitter, Orkut, nada disso era o bastante, eu criei coragem e pedi o número do celular dela, sentir ela um pouco mais próxima, encher o saco (ou não, ela quem sabe) com bilhões de SMS diárias, que na maioria das vezes dava uma vontade absurda de dizer ali aquelas coisas que ficavam escondidas “lá dentro”, mas ainda não era a hora certa.

Lembro de ter comentado com ela que eu tinha viagem marcada para São Paulo no dia 11.06, era uma viagem para visitar alguns amigos, Ana falou que talvez fosse, era a nossa chance de nos encontrarmos antes de Dezembro, eu fiquei eufórico com a possibilidade, mas tudo dependia da aprovação da mãe, mas eu estava confiante que tudo daria certo. Neste meio tempo de espera, entre saber se nos encontrariamos ou não, fui me soltando com os dias, meio que deixava transparecer algumas coisas, nisso surgiu nossa primeira frase que já deixava algo nas entrelinhas, “Como é bom gostar de você“, os dedos no teclado já escreviam “Amor” ao invés de “Ana”, eu a amava demais, mas não sabia se era certo sentir isto, não me permitia muito. Veio a confirmação de que ela também iria para São Paulo, eu estava apreensivo, os dias pareciam custar a passar, eu estava ansioso, ou melhor, nós estavámos. Passando os dias a fazer planos de tudo que queriamos e deveriamos fazer, desde o lugar em que iriamos jantar até os lugares para se ir, tudo bastante minunciosamente pensado, para ter a certeza de que tudo fosse o mais perfeito possível. Só um detalhezinho antes de chegarmos ao dia do encontro, que virá no próximo parágrafo: na véspera da viagem, o esperto que vos fala, saiu correndo para buscar um pastel que tinha pedido pela Tele Entrega, passa correndo por um muro baixo,  resbala um dos pés e cai. Foi lindo. Caiu por cima do braço e depois mal conseguia se mexer. Mas isso é assunto para outra hora, falei só pra tentar ser engraçadinho mesmo.

Chegou o tão esperado dia. Fui cedo para o aeroporto de Porto Alegre, o voo saiu no horário, cheguei em São Paulo passava um pouco das 09h, fui tomar um café e comer um pão de queijo. Fiquei um tempo ouvindo música e tentei algumas vezes ligar pra ela, sem sucesso, estava ansioso. Não aguentei, peguei o táxi e fui a Estação Rodoviária do Tietê,  ela chegaria pelas 13h eu estava ansioso. Lembro que levei Eragon. Levei só para passear mesmo, porque não consegui ler uma página sequer. Dei algumas cochiladas rápidas sentado, mas era ansiedade demais para fazer qualquer coisa que não fosse esperar. E eu estava ali, de frente a loja da Le Postiche quando o celular vibrou, pedindo que eu fosse até o guichê da Itapemerim. Ela estava lá. Fui o caminho todo assoviando, nervoso, acho que foi a tentativa de disfarçar que encontrei. E ali estava ela, linda, era surreal, estavamos distantes uns poucos metros. Nos abraçosmos forte, parecia que não nos viamos há anos, quando na realidade, aquele era o primeiro encontro. Fomos procurar um táxi, ir para o Hotel, largar malas e começar a por planos de semanas em prática. E foi assim mesmo. O que era para ser uma viagem para visitar amigos, virou a viagem em que eu dava início a uma nova etapa da minha vida, que eu só viria a perceber isso mais tarde. Momentos juntos, deitados juntos na mesma cama, assistindo televisão, eu falava junto as falas do Vida de Inseto, ou ficava falando qualquer coisa aleatória até ser deliciosamente interrompido por um beijo teu, tão bom com uma intensidade e cumplicidade absurda, coisa nossa que só nós mesmos para entender com perfeição. No mesmo dia jantamos em um restaurante mexicano, parecia tudo conspirar a favor. Uma noite agradável, lugar aconchegante, boa comida, risadas, amores e narguile. O mundo lá fora não importava, era apenas nós dois. Da pra acreditar, nós estavamos juntos, dividindo uma mesma cama, dormindo abraçados para evitar o frio. Eu ficar sem coberta, ou tomar conta do espaço na cama era o que menos importava, Estavámos juntos afinal.

No segundo dia, durante um longo abraço, juntei coragem do fundo da alma (e do coração) e assumi que a amava, falei que a amava e chorei logo em seguida, eu não sabia o que poderia acontecer a partir dali, ela poderia tanto parar de me abraçar e dizer que eu estava entendendo tudo errado, ou me abraçar forte e me dar um beijo. Ela escolheu ficar com a segunda opção. Eu meio que me acalmei. Me senti mais aliviado. Me libertava de um peso mas ainda tinha uma ponta de dúvida.

Tivemos quatro dias intensos, únicos. O tumulto da Liberdade ou eu pedir um Yakisoba Especial (que vinha com Ariel e sua turma, de tentáculos de polvo a abobrinhas) e fazer cara feia para comer. Eu ver o que é Melona e, mesmo sendo melão, eu adorar aquilo. Dias em que eu pude me sentir único e amado, de verade, nada mais precisava importar. Foi com ela, que descobri coisas sobre mim que eu nem imaginava existir, descobrir o que é namolá na lua e ver o quanto isso foi engraçado. Surtar com coisas juntos, querer levar caminhões de bugigangas das lojas. Passamos o dia dos namorados juntos, que como eu disse a ela, seria o primeiro de muitos outros que ainda estariam por vir. Gengibra entrou em nossas vidas neste mesmo dia 12, Ana me deu um box com os filmes da minha vida, Toy Story, eu não disse que não tem quem me conheça tão bem quanto ela? Pois é.

Os dias findaram, no domingo madrugamos para ir até a rodoviária, ela teria de ir embora. Eu meio que dormi por cima dela, enquanto ela me cuidava e me tapava com meu casaco. A hora chegou, tivemos que nos despedir, um abraço forte e um último beijo. Enquanto via ela sumir do meu campo de visão, eu chorava, mas feliz, com a certeza de que tudo tinha acontecido com um propósito, e que cedo ou tarde, iriamos nos encontrar novamente, para viver ainda mais tudo aquilo que tivemos em nossos quatro dias.

Sim, este texto continua. Em breve.

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5 Comments

  1. Ana Elisa says:

    Você sabia que você é o amor da minha vida e que eu te amo mais do que tudo?

  2. Adriana says:

    esse texto não vai ter fim NUNCA! amo a história de vcs e desejo q vcs sejam felizes juntos pra sempre!
    s2

  3. Valquíria says:

    Lindoooo!
    Torço muito pra q seja pra sempre!!!! E torço tb pra q vcs sejam muito felizes!!!!

  4. Ah! Li tudo. Que lindo, um namoro baseado em Teenage Fanclub, Yakissoba e Melona. Tem tuuuudo para brilhar e durar. Falando nisso, tenho q levar o Hamilton para experiementar Melona, já converti ele para os sushis/temakis/sashimis! :P

  5. Cassiano says:

    Léo, sei muito bem como se sente, também fui picado pelo insetinho do amor assim, logo de cara, e os momentos pré correspondência por parte dela são realmente tenebrosos!!

    Aguardo ansioso os novos capítulos desta enorme enciclopédia..

    Abração!

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