ou, quando a grama do vizinho é mais verde que a nossa

Eu realmente não me importo, sequer me preocupo com o que aconteceu ou com o que está acontecendo no Haiti. Não me interessa se o terremoto matou muita gente ou se todos milagorsamente conseguiram escapar. Eu não me importo.
Me importo é com o meu país, com um um povo que bebe água da torneira enquanto tem gente que bebe champanhe. Um povo que tem mais descendente que um coelho e mal tem condições para arcar com o próprio sustento. Um país em que adultos não sabem sequer assinar o próprio nome e crianças atravessam quilometros para ter acesso a um sistema de ensino deficiente. Um país onde o trabalhador recebe muito menos do que merece pelo trabalho que executa, em que a violência e a desigualdade social crescem em progressão geométrica.
Ok, a situação no Haiti parece ser pior, de acordo com a Wikipedia:
No século XVIII, o Haiti, então chamado de Saint-Domingue, e governado pelos franceses, era a mais próspera colônia no Novo Mundo. Seu solo enormemente fértil produzia uma grande abundância de colheitas e atraiu milhares de colonizadores franceses.
Desde o período de colonização o Haiti possui uma economia primária. Produzia açúcar de excelente qualidade, que concorreu com o açúcar brasileiro no século XVII e junto com toda produção das Antilhas serviu para a desvalorização do açúcar brasileiro na Europa. Após vários regimes ditatoriais, hoje em dia seu principal produto de exportação ainda continua sendo o açúcar, além de outros produtos como banana, manga, milho, batata-doce, legumes, tubérculos e muito mais.
Atualmente sua economia encontra-se destroçada e em ruínas. O país permanece extremamente pobre, sendo o mais pobre da América e de todo Hemisfério Ocidental, tão miserável como Timor-Leste, Afeganistão, entre outros. 45,2% da população é analfabeta, a expectativa de vida é de apenas 60,9 anos. Sua renda per capita é um-terço da renda da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.
Mesmo sendo pior, não consigo engolir a idéia de que o Governo Federal ajudou com a quantia de 1,4 milhão de dólares. Nunca consigo entender essas coisas, quando foi o Tsunami que atingiu a Ásia, foi a mesma papagaiada, era a população comovida, querendo ajudar a todo custo os coitados que perderam tudo. Ao mesmo passo, o povo (nem o Governo) para se interessar muito pelos nossos, fazer alguma coisa pelo nosso povo e melhorar ao menos um pouco toda essa bagunça que acontece. Tivemos recentemente um desastre de grandes proporções no Rio de Janeiro, não ouvi falar nem li nada sobre alguma possível ajuda do governo ou pessoas se mobilizando e querendo ajudar a todo custo, mas é como eu disse antes, a grama do vizinho é sempre mais verde que a nossa.
[UPDATE:] O Marcus resumiu e muito bem e com palavras melhores que as minhas o que eu quis passar com teste texto;
[UPDADE 2:] E quem diria, a Sandy (aquela mesma, a da extinta Sandyjunior) fez declarações bastante pertinentes a respeito do assunto, mas parece que teve gente chilicando com isso, ta aí o G1 que não me deixa mentir.
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